Pablo Moyano anunciou que nos próximos dias “uma acção do movimento operário organizado” poderá definir-se na rejeição da política económica do Governo.

A CGT prepara-se para realizar no próximo mês de Abril “uma grande acção do movimento operário organizado” para rejeitar a política económica do Presidente Javier Milei, um apelo ao qual se juntarão outras centrais sindicais, organizações sociais e partidos políticos que se opõem ao Governo.

“Em abril haverá reuniões com as demais centrais sindicais para analisar uma greve geral ou uma marcha federal. Certamente no próximo mês haverá uma ação do movimento sindical organizado”, disse Pablo Moyano, secretário adjunto dos Caminhoneiros e um dos cosecretários da CGT.

Um ensaio do que poderia ser a ação sindical promovida pela CGT poderá ser vivenciado no dia 24 de março, quando se comemora em todo o país o Dia Nacional em Memória da Verdade e da Justiça para lembrar as vítimas da última ditadura cívico-militar, que usurpou o governo do Estado nacional argentino entre 1976 e 1983.

Nesse dia, após 18 anos de eventos separados, as organizações de direitos humanos e os partidos políticos convergirão num único comício e marcha conjunta, que em Buenos Aires terminará na histórica Plaza de Mayo.

“Vamos participar na marcha de 24 de março não só para repudiar o que foi a ditadura militar, mas também para realizar uma marcha de repúdio a esta política económica”, anunciou Moyano, em declarações ao Futurock.

Pérez Esquivel na porta da Agência de Notícias / Foto: @somostelam

A participação do sindicato foi anunciada pelo ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel, durante sua visita aos trabalhadores temporários na porta dos escritórios da Télam.

As declarações de Moyano foram conhecidas na mesma semana em que Héctor Daer, secretário-geral do Sindicato da Saúde e outro dos co-secretários da CGT, afirmou que “estão sendo criadas as condições para uma nova greve”.

Desde que Javier Mileil chegou ao poder, em 10 de dezembro, a CGT realizou duas ações sindicais contra o modelo económico e as medidas promovidas pelo Governo, incluindo o DNU 70/2023 e a chamada Lei de “Bases”, que contemplavam, entre outras. aspectos, uma reforma trabalhista que promova os direitos trabalhistas dos trabalhadores.

A primeira, no dia 27 de dezembro, foi uma mobilização em direção à Plaza Lavalle, em frente aos Tribunais de Buenos Aires, para acompanhar a apresentação de um apelo de proteção contra o chamado “capítulo trabalhista” do DNU 70/2023.

No dia 18 de fevereiro, o Governo compareceu perante o Supremo Tribunal de Justiça para tentar reverter a decisão que declarou inconstitucional e suspendeu a aplicação das mudanças nas relações trabalhistas, como havia sido exigido por aquela manifestação massiva no centro de Buenos Aires, que também desafiou a implementação do “protocolo anti-piquetes” estabelecido desde o início da sua administração pela Ministra da Segurança, Patricia Bullrich.

Pouco menos de um mês depois desse protesto, no dia 24 de janeiro, a CGT realizou uma greve nacional que durou 12 horas e uma manifestação massiva em frente ao Congresso Nacional, desta vez, entre outros motivos, para rejeitar o tratamento legislativo de. a Lei das “Bases”.

O sindicato dos Caminhoneiros, por sua vez, também avalia a possibilidade de declarar greve nacional caso o Ministério do Trabalho, que funciona sob a órbita do Ministério do Capital Humano, não aprove o acordo conjunto que o sindicato fez com as câmaras empresariais e que contempla aumento salarial de 48% para março e abril.

“Estamos prestes a iniciar uma greve dos caminhoneiros porque eles não aprovam o acordo conjunto”, alertou Moyano, vice-secretário do sindicato liderado por seu pai, Hugo.

Nesse sentido, criticou a possível nomeação do advogado Julio Cordero como chefe do Ministério do Trabalho para substituir Omar Yasín, a quem Milei demitiu dias atrás ao responsabilizá-lo pelo aumento salarial de 48% dos funcionários hierárquicos do Poder Executivo, previsto para por dois decretos que levam a assinatura do presidente e que esta segunda-feira foram anulados por regulamento publicado no Diário Oficial.

Omar Yasín, ex-secretário do Trabalho Foto X@GabinoTapiaBA

“Eu o demiti por um erro que não deveria ter acontecido. Estão notificando neste momento”, explicou o chefe de Estado durante uma entrevista televisiva.

Para Moyano, a possível nomeação de Cordero “é uma forma de pagar” que o Governo encontrou ao empresário Paolo Rocca, CEO do Grupo Techint, “pela ajuda financeira recebida na campanha eleitoral. É uma forma de retribuir esse favor”, acrescentou o sindicalista.

“Trabalhar menos… Para quê?”, questionou Cordero, advogado da Techint e representante do Sindicato Industrial Argentino (UIA), durante debate realizado em 2023 no Congresso Nacional para analisar a redução da jornada de trabalho.

Moyano disse ainda que Cordero “foi um dos que redigiu a reforma trabalhista” promovida através do DNU 70/2023.

Sobre a situação social do país, Moyano mencionou que Camioneros organizou dias atrás um refeitório popular no bairro 17 de Noviembre, localizado na cidade portenha de Ingeniero Budge, em Lomas de Zamora.

“Pensávamos que viriam 500 ou 600 pessoas, mas eram mais de 4 mil. Eram seis blocos de fila. Eu nunca tinha visto isso, nem na pandemia. O Presidente não vê os danos que está a causar ao não fornecer comida aos refeitórios. Temos que dizer a Milei que é ele quem não a vê”, disse Moyano.

O item com maior incidência em todas as regiões foi Alimentação e bebidas não alcoólicas com aumento de 11,9%.

Para o sindicalista, Milei “e toda a turma que nos governa vivem na sua própria realidade”, e mostrou-se incrédulo face ao índice de preços ao consumidor, que em fevereiro registou uma subida de 13,2% e acumulou nos dois primeiros meses do ano um avanço de 36,6%.

“O mestre cartunista que é Marco Lavagna fez um número para dizer que a inflação está caindo. Há muitos alimentos que não estão sendo vendidos devido à permanente reformulação da marca”, criticou Moyano em referência ao diretor do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec).


Fonte: https://somostelam.com.ar/noticias/politica/un-paro-nacional-o-una-marcha-federal-las-opciones-que-evalua-la-cgt-para-abril/

Fonte: https://argentina.indymedia.org/2024/03/14/un-paro-nacional-o-una-marcha-federal-las-opciones-que-evalua-la-cgt-para-abril/

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